segunda-feira, 21 de abril de 2014

Felicidade

Felicidade era quando eu podia ficar deitado no chão do quintal
E, num dia de sol, ver as nuvens passar, perceber o sentido do mundo
E imaginar os personagens que se formavam nas figuras que compunham o céu.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Desejos


O corpo

a vontade

de ter

à vontade

você.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Jeito urbano

Criado sob amarras,
A janela aberta, gradeada,
A fechadura, o cerco,
A ilusão do perigo como o limite da liberdade.

O medo, o instrumento,
A sucessão de fatos no tempo marcado.

O barulho, o gesto,
Jeito Urbano.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Entre a seara e a semente



Entre a seara e a semente,
Entre o riso e o verso.

O rascunho,
O ensaio,
O xingamento,
A hesitação.

O cálculo,
O rabisco,
O risco,
A ilusão.

O impasse,
A leitura,
O ócio criativo,
A apresentação.

O caminho,
A inconsequência,
O ócio não criativo,
A abstração,

O diálogo,
A costura,
O laço,
A dedicação.

O sexo,
O erro,
O processo,
A construção.



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Com saudades, um terno abraço e um muito obrigado!


Essa minha última semana foi de grandes acontecimentos e transições nada fáceis para se assimilar. Além da colação de grau em que me tornei bacharel em comunicação social com habilitação em jornalismo, perdi uma de minhas referências da vida, meu tio-avô Lucas Salgado. Com quase 80 anos, o Tio Lucas partiu depois de alguns meses em que sua saúde já demonstrava fragilidade. 

Escrevo este texto, que pode parecer um simples registro de “diário”, para tentar assimilar a ausência de uma das pessoas que mesmo distante (mineiro, ele morava há algumas décadas na cidade de Belo Horizonte) mais me influenciou e que foi e é um exemplo da importância em se ter cuidado cotidiano com as pessoas, independente da menor ou maior proximidade. 

Em tempos de individualismo crônico, de corrupção quase que generalizada e de uma apatia coletiva, Tio Lucas fez sua revolução. Em cada gesto e em cada palavra de conforto, o querer bem à primeira vista era uma de suas características. Como um “Forrest Gump mineiro”, ele se perdia no tempo, causava desconfiança e despertava a imaginação ao contar várias de suas histórias e estórias. 

Em nosso último encontro, neste natal de 2012, ele já estava fragilizado e lutava contra os males causados por uma cirrose que obteve por hepatite viral. Mas, como era de se esperar do Tio Lucas e de nossa família, fez questão de dar o máximo de atenção a mim e aos outros oito familiares que decidiram passar alguns dias em sua casa nesse fim de ano. 

Não conheci nenhum de meus avôs e, junto do outro tio-avô da cidade de Brodowski, o Tio Zé, Tio Lucas sempre demonstrou ser um exemplo daquilo que eu espero construir em meu dia a dia, em minha trajetória. Prezar pela solidariedade, pela honestidade e pelo tratar bem ao próximo foi um dos ensinamentos que obtive nos encontros e nos diálogos com Tio Lucas, não só por palavras, mas por ações e demonstrações recorrentes. Um aprendizado de fato! 

Em nossa última conversa prolongada, Tio Lucas fazia reflexão sobre algumas das coisas boas que tinha passado na vida e defendia como “o conhecimento liberta”. De origem humilde, formação católica aprofundada, grandes histórias e longos percursos por diferentes estados brasileiros até viagens ao Paraguai e à Argentina, ele contava causos que iam da experiência como taxista na capital paulista ao valor e à história das pedras que encontrava no período que trabalhou com mineração. Cada visita à Belo Horizonte sempre foi uma renovação de sentimentos positivos e a garantia de uma boa estadia (além da comida inigualável de minha Tia Luzia). 

Essa semana meu tio parou de sofrer com as dores que o afligiam e, após o vasto conhecimento adquirido em seu trajeto, se libertou. Para nós, familiares mesmo que distantes, restou a saudade e a certeza de que ele estará sempre presente em gestos e ações que são e serão resultado do convívio que tivemos com ele. Para mim, a esperança de ser um dia um mínimo do que Tio Lucas demonstrou e fez a todos que tiveram o prazer de conhecê-lo. 

Onde quer que ele esteja, mando de forma tímida por este texto um terno abraço, um até logo e, mais do que nunca, um muito obrigado!

Foto por Sarah Salgado

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Entre a seara e a semente

O site da Nações Unidas no Brasil divulgou ontem espécie de cartilha explicativa sobre o que o mundo, a sociedade e você precisam saber sobre a fome em 2012. O maior problema solucionável do mundo atinge 925 milhões de pessoas e, mais uma vez, contrasta com as quantias exorbitantes investidas em armamentos e para livrar a cara de instituições financeiras no meio da crise mundial.

Os dados são mais uma vez impressionantes e as imagens chocam pela desnutrição de crianças e histórias dramáticas de alguns dos personagens que sofrem por, de fato, não terem o que comer. As opções de ajuda são incrivelmente simples (para não dizer óbvias) como políticas públicas possíveis a serem tomadas.

A questão, neste ponto, não é mais o debate (na maior parte das vezes elitista) sobre o excomungado assistencialismo, mas sim o fato que as pessoas precisam se alimentar hoje e agora. Seja em países da Ásia ou África, como destacado na publicação da ONU, seja nos subúrbios de capitais e das inúmeras famílias esquecidas por todo o território brasileiro.


Leia mais sobre:

http://envolverde.com.br/sociedade/fome-sociedade/%E2%80%9Ccombater-a-fome-na-africa-e-prioridade%E2%80%9D/

http://www.onu.org.br/o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-fome-em-2012/

http://www.desnutricao.org.br/home.htm

http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/oms-cria-biblioteca-virtual-sobre-combate-a-desnutricao-deficiencia-alimentar-e-obesidade/

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/obesidade_desnutricao.pdf